Maravilhoso e delicioso texto do Frei Almir Ribeiro Guimarães, OFM
1. Um autor escreveu uma vez que alguém já nasce franciscano. Não creio que seja assim. As pessoas vão se tornando franciscanas ao longo do tempo. Não é quando entramos para a Fraternidade, nem mesmo quando fazemos a Profissão que atingimos o ideal. Temos a vida toda para aspirar o perfume que vem de Assis. Há certas pessoas que, desde pequenas, se identificam com o espírito de Francisco e mesmo não ingressando na Ordem franciscanamente enfeitam o mundo.
2. Os cristãos franciscanos seriam pessoas caracterizadas por uma largueza de coração. Não são mesquinhos. Não usam medidores para dizer que vão até aqui e não até ali. Essa generosidade se manifesta numa compreensão pela fragilidade humana, num voto de confiança no outro, na capacidade de perdoar aquilo que objetivamente está errado, mas que nasce da fragilidade.
3. O franciscano não fica velho. Está sempre se surpreendendo com as iniciativas de Deus. Hoje o Senhor se manifesta no filho que nasce, no irmão que chega, no médico dedicado, no vizinho que entra trazendo um pacote de pêras e seu sorriso. O franciscano está sempre em estado de maravilhamento diante de tudo. Por isso não envelhece.
4. Os cristãos que se deixam guiar por Francisco são pessoas capazes de amor precisamente porque têm um coração generoso. Amam a Deus, amam as pessoas, amam a natureza. Escondem-se no mistério de Deus na oração, são corteses para com os que encontram e sabem preservar a pureza da água, admirar o sol e cuidar do verde. São generosos no amor.
5. Os franciscanos gostam de cantar mesmo aqueles que não têm muita afinação. Francisco foi um cantor de Deus e um dançarino diante do Altíssimo. Há um gosto de cantar até mesmo a mais vozes. Os conselhos e ministros deveriam sempre cuidar do canto. Não apenas do solo, mas do canto de todos. Uma fraternidade franciscana sabe cantar, até mesmo a chegada da Irmã Morte.
6. Os cristãos franciscanos, com sua simplicidade de espírito, procuram ser pessoas profundamente retas e leais, têm sempre a preocupação de abolir o supérfluo. Não acumulam. Não ficam atentos aos últimos aperfeiçoamentos da técnica para serem os primeiros a possuírem. Vestem-se com bela singeleza e têm a preocupação de ser e não de aparecer. Acreditam na Providência e assim não mostram um rosto sombrio. Corajosamente olham para o amanhã. Deus que com eles esteve o tempo todo no passado, não lhes faltará no futuro. Lembram-se sempre de Francisco que, diante do bispo de Assis, despojou-se dos bens paternos e voltou-se para o amanhã dizendo: Pai nosso que estais nos céus...
7. Não se nasce franciscano. Na medida em que vamos convivendo com irmãos e irmãs verdadeiramente livres de apego, amantes e arautos da paz e do bem, vamos aprendendo, mesmo timidamente, a ser cristãos à maneira de Francisco. Aspiramos um perfume que vem de Assis...
A Legenda dos Três Companheiros é uma das biografias de São Francisco de Assis que mais gosto. Companheiro significa "aquele que come o pão, junto"
Bem vindo a este lugar
"Seja como for o que penses, creio que é melhor dizê-lo com boas palavras."
(William Shakespeare)
(William Shakespeare)
Mostrando postagens com marcador reflexão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador reflexão. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
domingo, 15 de novembro de 2009
MINHA IRMÃ DOENÇA
Doença que me acompanha,
Chamo-a irmã porque veio e, pude repensar minha vida.
Chamo-a irmã porque me trouxe paciência que antes não tinha.
Através de você estou conhecendo um mundo diferente, o da dependência, que me faz valorizar mais o outro,
Chamo-a irmã porque através das limitações mudei meu dia a dia.
Agora faço mais companhia a mim mesma e me avalio mais, e vou me aproximando mais do meu interior.
Fico mais em casa abençoando as amplas janelas de onde descortino a natureza que Deus nos deu.
Tenho tempo de ver o céu que muda e muda de nuances.
Às vezes azul, azulzinho outro avermelhado, dourado!
Brinco com as nuvens que viram desenhos dos mais variados.
Saúdo o sol que banha meu quarto trazendo um calorzinho gostoso que me aquece a alma.
Despeço-me dele que através das montanhas vai sumindo deixando um rastro brilhante.
À noite vejo as estrelas piscando e ponho-me a procurar alguma cadente, para fazer um pedido.
Mas pedir o que afinal?
Para mim? Nem sei; já tenho tudo, a vida que Deus me deu, a família que me ama e ampara, os amigos que me rodeiam, que me animam, que choram e riem comigo.
Doença amiga chamo-a irmã, porque veio e não quis mais me deixar.
Porém se algum dia você for embora, se acontecer o milagre de minha cura, quero dizer-lhe que nunca a maldisse, quero dizer-lhe que com você aprendi muitas coisas...
E se acaso você ficar para sempre comigo iremos de mãos dadas empreender a grande viagem e veremos então que tudo valeu a pena porque conseguimos driblar os que queriam que você me derrubasse.
E permaneceu em mim a fé em meu Criador.
Vitória Loríggio Borelli – Franciscana da OFS de Guaratinguetá
( Publicada no FRATERNINHO – Informativo da Ordem Franciscana Secular – Região Sudeste III – SP) Janeiro/Fevereiro de 2006
Chamo-a irmã porque veio e, pude repensar minha vida.
Chamo-a irmã porque me trouxe paciência que antes não tinha.
Através de você estou conhecendo um mundo diferente, o da dependência, que me faz valorizar mais o outro,
Chamo-a irmã porque através das limitações mudei meu dia a dia.
Agora faço mais companhia a mim mesma e me avalio mais, e vou me aproximando mais do meu interior.
Fico mais em casa abençoando as amplas janelas de onde descortino a natureza que Deus nos deu.
Tenho tempo de ver o céu que muda e muda de nuances.
Às vezes azul, azulzinho outro avermelhado, dourado!
Brinco com as nuvens que viram desenhos dos mais variados.
Saúdo o sol que banha meu quarto trazendo um calorzinho gostoso que me aquece a alma.
Despeço-me dele que através das montanhas vai sumindo deixando um rastro brilhante.
À noite vejo as estrelas piscando e ponho-me a procurar alguma cadente, para fazer um pedido.
Mas pedir o que afinal?
Para mim? Nem sei; já tenho tudo, a vida que Deus me deu, a família que me ama e ampara, os amigos que me rodeiam, que me animam, que choram e riem comigo.
Doença amiga chamo-a irmã, porque veio e não quis mais me deixar.
Porém se algum dia você for embora, se acontecer o milagre de minha cura, quero dizer-lhe que nunca a maldisse, quero dizer-lhe que com você aprendi muitas coisas...
E se acaso você ficar para sempre comigo iremos de mãos dadas empreender a grande viagem e veremos então que tudo valeu a pena porque conseguimos driblar os que queriam que você me derrubasse.
E permaneceu em mim a fé em meu Criador.
Vitória Loríggio Borelli – Franciscana da OFS de Guaratinguetá
( Publicada no FRATERNINHO – Informativo da Ordem Franciscana Secular – Região Sudeste III – SP) Janeiro/Fevereiro de 2006
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
A ELEGÂNCIA DO COMPORTAMENTO
AMO ESSE TEXTO.
Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento.
É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.
É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.
É uma elegância desobrigada.
É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam.
Nas pessoas que escutam mais do que falam.
E quando falam, passam longe da fofoca, das maldades ampliadas no boca a boca.
É possível detectá-las nas pessoas que não usam um tom superior de voz.
Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.
É possível detectá-la em pessoas pontuais.
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.
É elegante não ficar espaçoso demais.
É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao de outro.
É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.
É elegante retribuir carinho e solidariedade.
Sobrenome, jóias, e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.
Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante.
Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural através da observação, mas tentar imitá-la é improdutivo.
Educação enferruja por falta de uso.
Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento.
É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.
É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.
É uma elegância desobrigada.
É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam.
Nas pessoas que escutam mais do que falam.
E quando falam, passam longe da fofoca, das maldades ampliadas no boca a boca.
É possível detectá-las nas pessoas que não usam um tom superior de voz.
Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.
É possível detectá-la em pessoas pontuais.
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.
É elegante não ficar espaçoso demais.
É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao de outro.
É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.
É elegante retribuir carinho e solidariedade.
Sobrenome, jóias, e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.
Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante.
Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural através da observação, mas tentar imitá-la é improdutivo.
Educação enferruja por falta de uso.
sábado, 7 de novembro de 2009
QUEM TIVER OLHOS PARA VER...VEJA
O dono de um pequeno comércio, amigo do grande poeta Olavo Bilac, abordou-o na rua:
- Sr. Bilac, estou precisando vender o meu sítio, que o senhor tão bem conhece.
Poderá redigir o anúncio para o jornal?
Olavo Bilac apanhou o papel e escreveu:
"Vende-se encantadora propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer
no extenso arvoredo, cortada por cristalinas e marejantes águas de um ribeiro.
A casa banhada pelo sol nascente oferece a sombra tranqüila das tardes, na varanda".
Meses depois, topa o poeta com o homem e pergunta-lhe se havia vendido o sítio.
- Nem pense mais nisso, disse o homem. Quando li o anúncio é que percebi a maravilha que tinha !
- Sr. Bilac, estou precisando vender o meu sítio, que o senhor tão bem conhece.
Poderá redigir o anúncio para o jornal?
Olavo Bilac apanhou o papel e escreveu:
"Vende-se encantadora propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer
no extenso arvoredo, cortada por cristalinas e marejantes águas de um ribeiro.
A casa banhada pelo sol nascente oferece a sombra tranqüila das tardes, na varanda".
Meses depois, topa o poeta com o homem e pergunta-lhe se havia vendido o sítio.
- Nem pense mais nisso, disse o homem. Quando li o anúncio é que percebi a maravilha que tinha !
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Lenda japonesa
Era uma vez um grande samurai que vivia perto de Tóquio.
Mesmo idoso, se dedicava a ensinar a arte zen aos jovens.
Apesar de sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário.
Certa tarde, um guerreiro, conhecido por sua total falta de escrúpulo, apareceu por ali.
Queria derrotar o samurai e aumentar sua fama.
O velho aceitou o desafio e o jovem começou a insultá-lo.
Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou insultos, ofendeu seus ancestrais.
Durante horas, fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível.
No final do dia, sentindo-se já exausto e humilhado, o guerreiro retirou-se.
E os alunos, surpresos, perguntaram ao mestre como ele pudera suportar tanta indignidade.
- Se alguém chega até você com um presente e você não o aceita, a quem pertence o presente ?
- A quem tentou entregá-lo, respondeu um dos discípulos.
- O mesmo vale para a inveja, a raiva e os insultos.
Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carregava consigo.
A sua paz interior depende exclusivamente de você.
As pessoas não podem lhe tirar a calma.
Só se você permitir...
Mesmo idoso, se dedicava a ensinar a arte zen aos jovens.
Apesar de sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário.
Certa tarde, um guerreiro, conhecido por sua total falta de escrúpulo, apareceu por ali.
Queria derrotar o samurai e aumentar sua fama.
O velho aceitou o desafio e o jovem começou a insultá-lo.
Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou insultos, ofendeu seus ancestrais.
Durante horas, fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível.
No final do dia, sentindo-se já exausto e humilhado, o guerreiro retirou-se.
E os alunos, surpresos, perguntaram ao mestre como ele pudera suportar tanta indignidade.
- Se alguém chega até você com um presente e você não o aceita, a quem pertence o presente ?
- A quem tentou entregá-lo, respondeu um dos discípulos.
- O mesmo vale para a inveja, a raiva e os insultos.
Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carregava consigo.
A sua paz interior depende exclusivamente de você.
As pessoas não podem lhe tirar a calma.
Só se você permitir...
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Ponto de vista
Pequeno, porém perfeito...inteiro...pontual...uma benção
"Ler significa reler e compreender, interpretar.
Cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam.
Todo ponto de vista é a vista de um ponto.
Para entender como alguém lê, é necessário saber como são seus olhos e qual é sua visão de
mundo.
Isso faz da leitura sempre uma releitura.
A cabeça pensa a partir de onde os pés pisam."
Texto de Leonardo Boff
"Ler significa reler e compreender, interpretar.
Cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam.
Todo ponto de vista é a vista de um ponto.
Para entender como alguém lê, é necessário saber como são seus olhos e qual é sua visão de
mundo.
Isso faz da leitura sempre uma releitura.
A cabeça pensa a partir de onde os pés pisam."
Texto de Leonardo Boff
Assinar:
Postagens (Atom)
